07 Dezembro 2011

dorgas

na segunda eu usei. meus dois amigos e eu usamos. usei 3 ao todo. e ja fazia um pouco mais de um ano desde a ultima vez. usei para comemorar o fim do semestre inominável. meu ultimo trabalho seria entregue dali uma hora e meia. e ja estava feito. eu comecei a sorrir. sorrir mesmo, de verdade. não da forma que eu sorrio na maioria da vezes, e elas são muitas. e em quase todas ele é falso. mesmo q eu mesma só me dê conta disso quando ja estou sorrindo. as pessoas tem habitos ruins, o meu é sorrir demais.

o melhor é o efeito. praticamente instantaneo. a sensação de tranquilidade que se alastra como agua gelada tomada num dia seco. mas ela não se mantem por muito tempo sozinha. logo vem uma auto-confiança tão genuina, tão inquestionavel. e ambas, a auto-confiança e a calma, diminuem o volume das preocupações e ansiedades como se fossem tias abaixando o som do rádio de uma penca de sobrinhos pré-adolescentes. 

você se mantem completamente consciente do ambiente exterior e interior. entende tudo o que se passa. meu amigo querido ja aproveitava a sensação e descrevia: "não sei porque estava tão preocupado com as coisas antes disso" e apontou para a droga. "eu me preocupo demais" concluiu. o outro amigo se limitava a guardar para o si o semi-extase. não falava frases longas. o primeiro se voltou para mim, numa daquelas poses de ator de cinema blockbuster que tanto combina com a droga: "fico bonito usando?" e sorveu avidamente. "com certeza, e muito!", eu ri e desejei tirar uma foto da expressão de modelo de marca de jeans dele.

eu comecei a ficar meio tonta quando cheguei na metade. agora eram os medos que batiam em retirada. poderia subir num muro alto, ou numa construção. veja, não era empolgação o que eu sentia. nada a ver com sair correndo e/ou gritando - que o que eu sinto quando uso a outra droga. o que eu sentia era certeza. eu queria subir em algo e faria. dentro da minha cabeça eu disse: "não tenho medo de altura." 

depois de uma hora, o efeito do primeiro ja passara. e partimos para o segundo. e quando fomos embora, cada um para o seu canto, eu ainda me perguntei se não deveria comprar um maço de malrboro só para mim. 


3 infectados:

e na fazenda tinha um pato
ia ia ohh